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Citrosuco terá, até 2030, só laranjas 100% ‘sustentáveis’

Fonte: Valor Econômico (09 de novembro de 2020)

Produção de laranja em fazenda própria da Citrosuco em Matão (SP): mais da metade das frutas usadas pela empresa já é auditada e certificada como sustentável — Foto: Silvia Zamboni/Valor


 
Maior produtora e exportadora de suco de laranja do mundo, a Citrosuco, com sede em Matão, no interior paulista, estabeleceu como meta que 100% das frutas que recebe para a fabricação da bebida serão auditadas com padrões sócio-ambientais e certificadas como “sustentáveis” até 2030. Com faturamento superior a R$ 3 bilhões por temporada, a companhia brasileira é controlada pelos grupos Fischer e Votorantim.
 
De acordo com Clauber Andrade, diretor de sustentabilidade da Citrosuco, desde 2016 as três fábricas de suco (Matão, Catanduva e Araras) e todas as fazendas da empresa contam com carimbos internacionais como SAI Platform, Rainforest Alliance, ISO 14001, OHSAS 18001 e SMETA 4-Pillar, além de estarem 100% em conformidade com a legislação brasileira – inclusive no que se refere a questões de compliance, código e canal de conduta e auditorias internas.
 
No caso da produção própria de laranja, 1,9 milhão de hectares são certificados. A área é distribuída por 25 fazendas nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, onde em picos de colheita trabalham, em média, 12 mil pessoas. “Se contarmos fruta própria – principalmente – e de terceiros, mais de metade das laranjas que recebemos para a produção de suco já são certificadas. O objetivo agora é estender a certificação para 100% dos fornecedores terceirizados”, afirmou Andrade.
 
A Citrosuco não revela exatamente quantos fornecedores tercerizados têm no cinturão situado em São Paulo e Minas, o maior do planeta. Mas informa que são centenas de citricultores, grande parte deles de pequeno porte. “O que era um incentivo às boas práticas sócio-ambientais, agora passa a ser um corpo-a-corpo no campo. Queremos sensibilizar toda a cadeia”, afirmou Andrade.
 
Para esse trabalho, a Citrosuco contará com a ajuda da empresa Produzindo Certo, especializada em levar assistência técnica a produtores de diferentes culturas interessados a tornar seus processos de produção mais sustentáveis. “O produtor não é vilão. Não vamos apenas apontar os problemas existentes, vamos participar e orientar a adoção das melhorias necessárias”, garantiu Maria Zelma, técnica da área de sustentabilidade da Produzindo Certo, um desmembramento da ONG Aliança da Terra.
 
Com mais de 1,5 mil propriedades rurais localizadas em 15 Estados e no Distrito Federal incluídas em sua plataforma digital, a empresa avalia, entre outras questões ambientais, reserva legal, área de proteção permanente, erosão do solo, gestão de resíduos e uso e destinação de embalagens de agroquímicos. No front trabalhista, itens como horas de serviço e de descanso, equipamentos de proteção, instalações disponíveis estão na lista. Questões agronômicas ligadas ao cultivo também são checadas.
 
De acordo com Maria Zelma, produtores de pequeno porte normalmente têm mais dificuldades em se ajustar às boas práticas tanto por causa de falta de eficiência técnica quanto pelo desconhecimento de normas em vigor. Daí a importância de uma eficiente assessoria no campo. “Ainda é preciso desmistificar o termo ‘sustentabilidade’ junto a muitos produtores. E é um trabalho fundamental, uma vez que a população quer cada vez mais informações sobre o que está comprando e consumindo”, afirmou.
 
A Citrosuco não informou quanto pretende investir para certificar toda a sua cadeia de suprimento. É o segundo grande projeto no Brasil anunciado pela empresa, que nos últimos anos deixou de produzir laranja nos Estados Unidos. Em março, como informou o Valor, a empresa fechou contrato com a TIM, do setor de telefonia, para conectar, com tecnologia empresa fechou contrato com a TIM, do setor de telefonia, para conectar, com tecnologia 4G, suas 25 fazendas. Serão pelo menos dois anos de trabalho nesse caso, com aportes de US$ 50 milhões.