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Porto de Santos e seu futuro

Fonte: A Tribuna (12 de janeiro de 2018)

Maior complexo da América Latina, situado na região que concentra 70% das atividades produtivas nacionais e exportando grande parte da produção agrícola da região Centro-Oeste, é responsável por quase 30% da balança comercial brasileira.
As mudanças em curso na navegação marítima exigem, entretanto, que o Porto se adapte aos tempos modernos. É preciso que a sua administração seja ágil e capaz de garantir o funcionamento adequado dos sistemas que o compõem, notadamente no que diz respeito à sua infraestrutura. Nesse ponto há um desafio maior: a nova geração de navios que irão escalar na costa brasileira é formada por embarcações de grande porte, notadamente aqueles que transportam contêineres, e isso exige modernização e ampliação do canal de acesso, além da realização permanente de dragagem, considerando a maior profundidade para assegurar a navegabilidade necessária.
Em maio do ano passado, o navio de contêineres de empresa do setor, com 340 metros de comprimento da proa à popa, veio pela primeira vez a Santos. Mas as embarcações cada vez mais utilizadas são ainda maiores, atingindo 366 metros de comprimento e 51 metros de largura, capazes de transportar 13,8 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). Movimento semelhante acontece em relação aos navios de cruzeiros. Na temporada 2018/2019, o navio atuante para cruzeiros, estará operando na costa brasileira, e sua capacidade é para 5.179 passageiros.
Há um ano, a Praticagem de São Paulo terminou estudos, simulações e análises de casos e concluiu que há a necessidade urgente de dragar acessos aos terminais e alargar trechos da via marítima de acesso. Esta é uma questão polêmica: para permitir a navegação das grandes embarcações seria necessário aumentar a largura para 300 metros em alguns pontos (ela é hoje de 220 metros) para permitir sua circulação, e isso esbarra na resistência do Ministério Público Federal (MPF), que vem movendo ações contrárias a tal obra, sob a alegação que ela seria o principal fator de erosão na Ponta da Praia.
Estudo contratado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) junto à Universidade de São Paulo (USP), que será entregue agora, contesta tal afirmação. Mas, independentemente dessas conclusões, é preciso considerar que eventuais consequências negativas de grandes intervenções podem ser mitigadas e até eliminadas com obras de adaptação, e elas devem ser realizadas de maneira conjunta, e seus custos incluídos nos investimentos de modernização que serão feitos.
O futuro é inexorável. O Porto de Santos tem a vocação natural para se tornar o grande hub concentrador de cargas nacional, mas precisa estar preparado para isso, com sua infraestrutura adaptada à nova realidade.