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“Síndrome do impostor” não está relacionada ao desempenho

Fonte: Valor Econômico (03 de outubro de 2019)

Foto: divulgação


Um em cada cinco universitários sofre com a “síndrome do impostor” e não acredita que é capaz de realizar o seu trabalho. O sentimento permanece independentemente do bom desempenho, o que mostra que mesmo os indivíduos que não confiam em si próprios são capazes de entregar as tarefas e os serviços que precisam. As conclusões estão em uma pesquisa realizada pela Brigham Young University (BYU) publicada em setembro e que mostrou que o fenômeno é mais comum do que análises apontaram, principalmente entre os estudantes. Em uma análise que abrangeu um estudo qualitativo e entrevistas com 213 estudantes de universidades de elite, 20% dos alunos foram identifica.
 
Segundo os pesquisadores Jeff Bednar, Bryan Stewart e James Oldroyd, os resultados indicam que fatores sociais impactam mais a existência da sensação de impostor do que a capacidade ou a competência real do indivíduo. “A raiz desse fenômeno está em pensar que as pessoas não nos veem como realmente somos”, afirma Bryan Stewart. “Achamos que as pessoas gostam de nós por algo que não é real e que não gostarão caso descubram quem realmente somos.”
 
O termo foi cunhado a partir da pesquisa das psicólogas americanas Pauline Rose Clance e Suzanne Imes. No fim dos anos 70, elas buscavam entender por que mulheres com grandes conquistas normalmente atribuíam seu sucesso mais à sorte do que às suas habilidades. Nos anos 80, Clance se uniu a Gail Matthews, professor de psicologia da Dominican University, e descobriu que o fenômeno não atingia apenas mulheres – 70% da amostra do estudo deles, que incluiu homens, sentia-se impostor em determinado momento da carreira. O termo passou a ser aplicado ao desconforto psicológico de não se sentir competente ou qualificado para uma determinada posição, principalmente em comparação aos colegas.
 
No Brasil, um levantamento realizado há cinco anos por uma pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) com 492 estudantes de Ciências Contábeis e de Administração mostrou que 77% deles apresentavam níveis substanciais da “síndrome de impostor”. Mais da metade deles tinha de 17 a 24 anos.
 
Na pesquisa recente da BYU, os pesquisadores descobriram que alunos tentaram lidar com a sensação de impostor “escapando” dos estudos ou fingindo confiança e empolgação aos outros colegas. No fundo, porém, questionavam se realmente pertenciam àquele lugar. A melhor maneira de resolver esse problema, segundo as conclusões da pesquisa, foi procurar apoio de pessoas fora do mesmo programa acadêmico, como amigos e família. Elas ajudavam os alunos a enxergar a situação de uma perspectiva geral e os estudantes conseguiam se entender de maneira mais holística, em vez de se concentrarem apenas naquilo que achavam que lhes faltava.
 
Embora o estudo tenha sido realizada dentro do contexto acadêmico, os pesquisadores acreditam que os resultados podem e devem ser considerados para criar ambientes de trabalho melhores – e auxiliar os profissionais, de várias áreas e carreiras, que carregam essa mesma sensação desconfortável. “É importante criar culturas nas quais as pessoas possam realmente falar sobre erros e fracassos. Quando temos esse tipo de cultura, alguém que está se sentindo um impostor tem mais chances de conseguir a ajuda que precisa da empresa”, afirmou Stewart.