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Porto de Santos deve ter novo ano no limite para contêineres

Fonte: Valor Econômico (15 de janeiro de 2025)

Após 2024 de congestionamentos, terminais devem ter mais alívio, mas empresas e analistas ainda veem situação pressionada – Foto: DP World

Após um 2024 com terminais de contêineres congestionados, o Porto de Santos deverá ter algum alívio para a carga, mas a expectativa de empresas e analistas do setor é que a situação continue pressionada em 2025.

No ano passado, usuários do porto enfrentaram longas filas nos terminais de contêineres, que ficaram lotados.

A situação foi resultado de uma série de problemas. Em Santos, a BTP (Brasil Terminal Portuário), um dos três grandes terminais de contêineres do porto, passou todo o primeiro semestre com um berço a menos, devido a acidente em janeiro. Operações de contêineres fora de São Paulo também sofreram entraves que pioraram o cenário. Em Santa Catarina, o

Em Santa Catarina, o Portonave entrou em obras e Itajaí ficou sem funcionar por um longo período, devido a um imbróglio em torno do novo contrato. Tudo isso em meio à demanda aquecida.

Alguns fatores devem trazer alívio neste ano: a BTP retomou a operação completa e está fazendo investimentos para ampliar a produtividade; e os demais terminais em Santos, da Santos Brasil e da DP World, também têm obras de expansão em curso, embora com previsão de conclusão em 2026. Mesmo com alguns ganhos, especialistas acreditam que o cenário não deve mudar de forma significativa em 2025.

“A gente não deve sentir melhorias sensíveis na operação e no nível de serviço em 2025. Há um desequilíbrio entre demanda e oferta de capacidade nos terminais. Alguns investimentos em Santos vão aumentar a produtividade. Vai melhorar, mas não sei se acima do crescimento da carga orgânico”, avalia Casemiro Tércio Carvalho, sócio da 4 Infra.

“Não tem nada que mude muito a situação para o curto prazo. A Santos Brasil e a DP World podem expandir, a BTP tem mais equipamento sendo colocado, mas para 2025 e 2026 a gente ainda vai assistir parte do volume de Santos indo para portos no Rio de Janeiro, em Santa Catarina, Paranaguá [PR]”, afirma Marcos Pinto, sócio da A&M Infra.

Hoje um dos principais planos do governo para ampliar a área de contêineres em Santos é a licitação de um novo terminal, o STS 10. O projeto está prestes a ser enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU). “O leilão está previsto para o fim do primeiro semestre, no segundo semestre no mais tardar”, afirmou Anderson Pomini, presidente da APS (Autoridade Portuária de Santos).

Porém, o novo terminal só deverá incrementar a capacidade do porto em um prazo de ao menos cinco anos, calcula Leonardo Levy, diretor de investimentos para as Américas da APM Terminals (da Maersk). “Com a licitação no fim de 2025, o concessionário assinaria no fim do primeiro semestre de 2026. O licenciamento ambiental pode durar dois anos, porque é uma área com questão ambiental sensível. E depois são mais dois anos e meio, três anos de construção. Estamos falando de 2030, 2031”, diz o executivo.

Pomini afirma que outro plano em curso para aumentar a capacidade de contêineres é a ampliação da área do terminal da Santos Brasil, que deverá incorporar um terreno hoje ocupado por moradias irregulares. “O adensamento está bem avançado”, afirma.

Segundo ele, a autoridade portuária está tomando todas as medidas necessárias para ampliar a capacidade em Santos. Ele diz que os planos foram retomados há pouco mais de um ano, quando o porto foi retirado da lista de desestatização do governo federal. “Passamos 2024 reprogramando o porto e elaborando o plano de investimentos.”

Para além da falta de capacidade do porto, Fabio Siccherino, presidente da DP World no Brasil, afirma que os congestionamentos e problemas logísticos vistos em 2024 foram causados pelos atrasos nos serviços das empresas de navegação, que geram turbulência em toda a cadeia.

“A gente tem, de um lado, a capacidade chegando muito próxima do limite e, de outro, o serviço de navegação chegando muito atrasado em Santos. Na média, mais de 60% das viagens estão chegando fora da janela prevista de atracação, isso bagunça todo o sistema, diminui a produtividade, gera reclamação dos clientes”, afirma o executivo.

No ano passado, uma série de problemas globais voltaram a conturbar a navegação global, principalmente os ataques no Mar Vermelho, que fecharam o canal de Suez para grandes navios e levaram a congestionamentos em portos e alta de fretes no mundo todo – cenário que tampouco deve mudar de forma significativa em 2025, segundo especialistas do setor.

Para Siccherino, a situação em Santos deve melhorar de forma mais significativa apenas em 2026. “O primeiro semestre deste ano vai ser muito parecido com o que vimos em 2024. Deve começar a melhorar no segundo semestre e atingir um nível de menos estresse só em 2026”, diz.

Hoje, Santos tem três grandes terminais de contêineres: Santos Brasil, a BTP e a DP World. No ano passado, um deles teve uma movimentação acionária relevante, com a venda da Santos Brasil para a empresa de navegação CMA CGM. Com isso, o terminal que hoje tem como principal sócio a Opportunity passará a ser verticalizado – tal como já é o BTP, controlado pelos armadores Maersk e MSC, por meio de subsidiárias.

Na visão de especialistas, a mudança acionária poderá levar a um rearranjo dos contratos dos terminais, possivelmente com a CMA CGM migrando uma parte de sua operação da DP World para a Santos Brasil. “Resta saber qual será a estratégia da CMA em Santos”, diz Carvalho. A venda ainda aguarda aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), e a expectativa é que seja concluída no primeiro trimestre deste ano.