Rumo inicia obra de ferrovia no MT com investimento de R$ 4 bi na fase 1
Fonte: Valor Econômico (07 de novembro de 2022)

Abreu, presidente, estima que todo o projeto vai exigir até R$ 15 bilhões — Foto: Claudio Belli/Valor
A Rumo, empresa de logística do grupo Cosan, aprovou na quinta-feira (3) o início das obras de extensão de sua malha ferroviária no Mato Grosso. A construção deverá ter sua largada já neste ano, mas ganhará tração a partir de 2023, segundo o presidente da companhia, Beto Abreu.
Trata-se de um grande empreendimento para estender a Malha Norte, que hoje chega a Rondonópolis (MT), até o norte do Estado, em Lucas do Rio Verde (MT), com mais de 700 km de ferrovias novas. O valor total do investimento deverá ficar entre R$ 14 bilhões e R$ 15 bilhões, segundo projeção atualizada da empresa.
O projeto, porém, deverá ser construído em etapas. A primeira fase, iniciada agora, terá cerca de 210 km, de Rondonópolis (MT) até Campo Verde (MT). O investimento previsto é de R$ 4 bilhões a R$ 4,5 bilhões. A projeção é concluir o trecho até o fim de 2025, para que a operação se inicie no primeiro trimestre de 2026.
Com a primeira etapa do empreendimento, a Rumo já deverá ampliar a capacidade de movimentação da ferrovia em ao menos 10 milhões de toneladas. Com isso, a Malha Norte passará de uma capacidade atual de 25 milhões de toneladas por ano para 35 milhões de toneladas. Esse incremento é um primeiro passo. O terminal que será construído em Campo Verde poderá chegar a até 30 milhões de toneladas. “Vai depender muito da expansão do mercado e da velocidade das obras da ferrovia até Nova Mutum”, afirma Abreu.
A ideia é construir o terminal em sociedade com um parceiro estratégico – um acordo preliminar já foi firmado, mas ainda não foi divulgado o nome do grupo.
Este primeiro trecho da ferrovia é o mais complexo e oneroso do empreendimento como um todo, explica o presidente.
“Do ponto de vista de engenharia, a parte mais complicada é esse início. Logo na saída de Rondonópolis teremos obras complexas, como a construção de uma ponte de mais de 1 km no Rio Vermelho. A partir daí, os trechos restantes são mais fáceis”, diz ele.
O traçado do projeto prevê um ramal até a capital Cuiabá e outro até o norte do Estado, chegando a Nova Mutum e, depois, Lucas do Rio Verde. A previsão é que a construção de toda a ferrovia seja concluída entre 2028 e 2029.
O início das obras sofreu atraso de alguns meses devido a uma ação do Ministério Público Federal (MPF), que demandou que a empresa consultasse os povos indígenas Boe Bororo, das Terras Tadarimana e Teresa Cristina, próximas ao empreendimento. Após uma negociação entre a procuradoria, a Defensoria Pública, os indígenas e a companhia, foi firmado um acordo nesta quinta, que permitiu o início da construção, sob o compromisso de que a Rumo irá fazer as consultas às comunidades.
A obra começa em 2022 com um primeiro viaduto sobre a BR-163, que cruza a ferrovia da Rumo logo em seus primeiros quilômetros. No início de 2023, a construção ganha tração, diz Abreu.
O financiamento para as obras deverá usar diferentes fontes de recurso. “O mantra da companhia é operar com uma alavancagem ente 2 vezes e 2,5 vezes [da dívida líquida pelo Ebitda]. Dentro da nossa expectativa de geração de caixa, vamos seguir com as captações necessárias”, afirma.
O projeto de extensão da Malha Norte é um marco do ponto de vista regulatório. Será o primeiro empreendimento feito em regime de autorização, ou seja, de caráter totalmente privado, sem recursos ou tomada de risco do poder público. Além disso, trata-se de um contrato estadual, firmado com o Mato Grosso em setembro do ano passado.
No Estado, o governador Mauro Mendes (União), que promoveu o projeto junto à Rumo, foi reeleito em primeiro turno. Questionado sobre a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a presidência, Abreu afirma que o resultado não afeta os planos da Rumo.
“Temos nossa estratégia independentemente do governo que assume em janeiro. Já operamos com governo Bolsonaro, com governo Lula. Independentemente do partido no poder, vamos dar sequência aos planos.”
