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Vacinação periódica contra covid-19 pode durar entre 5 e 10 anos, avaliam cientistas

Fonte: Valor Investe (31 de maio de 2021)

O professor Marco Antonio Stephano: “Não adianta vacinar toda uma população, se outras ficam desprotegidas” — Foto: Claudio Belli/Valor


Cientistas à frente do desenvolvimento ou testes de vacinas disseram ao Valor que ainda não há evidência definitiva da necessidade de vacinação anual contra a covid-19. Eles dizem, no entanto, que a imunização periódica deve se impor no horizonte de cinco a dez anos devido ao descontrole do vírus, sobretudo em países populosos, como Brasil e Índia. A visão coincide com a de executivos da indústria farmacêutica e governantes, e até de grupos políticos adversários, como os do presidente Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, João Doria.
 
“É um embate biológico complexo. Ainda é difícil dizer se precisaremos de outras doses por uma de duas razões: as variantes, que podem escapar da resposta imune, ou a longevidade desta resposta. Ainda não existe correlato de proteção definido, ou seja, um exame que defina com precisão até que ponto estamos ou não protegidos”, diz o médico imunologista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Jorge Kalil Filho.
 
O especialista diz que, hoje, pode-se avaliar se há anticorpos contra o Sars-Cov-2 pela detecção de imunoglobulinas (anticorpos) de tipo IgM, que acusam doença aguda, ou IgG, que indicam a infecção ou vacinação prévia. Na pandemia, essas terminologias passaram ao conhecimento popular. Há, porém, outros mecanismos de proteção que não costumam aparecer em testes clínicos rotineiros, mas podem ajudar a sustar a infecção.