Queda do petróleo deverá motivar usinas do Centro-Sul do Brasil a produzir mais açúcar
Fonte: Valor Econômico (10 de março de 2020)
O derretimento das cotações do petróleo no mercado internacional deverá acentuar a tendência de as usinas do Centro-Sul do Brasil produzirem mais açúcar na safra 2020/21, que terá início em abril, avaliou Ricardo Mussa, vice-presidente da Raízen Energia e futuro CEO do grupo, em coletiva após apresentação da Cosan Day, hoje em São Paulo. A baixa do petróleo abre espaço para uma redução dos preços da gasolina no país e, por tabela, para uma perda de competitividade do etanol nas bombas dos postos de combustíveis.
Nos cálculos de Mussa, o Brasil poderá voltar a elevar a oferta global em até 6 milhões de toneladas após dois anos com um volume cerca de 10 milhões de toneladas menor que o observado na temporada 2016/17. “Esperamos que o teto [de preços] da gasolina baixe, o que deve provocar um aumento do mix das usinas para o açúcar. Isso já estava acontecendo antes dessa queda de hoje do petróleo, mas a tendência é que o processo seja acelerado”, afirmou.
Mussa ressaltou que as usinas já estão mais “hedgeadas” em preço de açúcar do que a média histórica e que, com a desvalorização cambial, a commodity está ainda mais atrativa. Ele lembrou que, como as moedas da Índia e da Tailândia se desvalorizaram menos ante o dólar do que o real, a remuneração do açúcar para esses países está menor, o que já inviabiliza as exportações da Índia, por exemplo.
Porém, Luis Henrique Guimarães, atual CEO da Raízen – que é a maior companhia sucroalcooleira do país – e futuro presidente da Cosan, observou que muitas usinas têm limites para aumentar a produção de açúcar, já que as vendas de etanol dão mais liquidez.
Marcos Lutz, atual CEO do Cosan e que sairá do cargo para ser conselheiro do grupo a partir de 1º de abril, acrescentou que não vê a atual queda de preços do petróleo como estrutural. “Por outro lado, temos grande aumento de eficiência no custo de produção com a mudança no câmbio. Isso pode ser mais estrutural”, disse.