Alguns berços no porto paulista têm espera de mais de 20 dias –período delimitado entre o dia que o navio chega no porto e a data de saída programada. Em Paranaguá, a espera supera dez dias em alguns terminais.
Na avaliação da Cargonave, se o tempo ficar mais firme, o período de espera deverá diminuir mesmo considerando a chegada de mais navios para buscar soja no país, o maior exportador global da oleaginosa.
A Cargonave registrou aumento no chamado “lineup” de navios nos últimos dias, incluindo nos portos do Norte e Nordeste, como Itaqui (MA) e Barcarena (PA), à medida que a colheita no Brasil está próxima de ser finalizada em cerca de metade da área de cultivo. A expectativa de alguns analistas é de uma safra recorde superior a 125 milhões de toneladas.
Outra agência marítima, a Williams, indica 10 milhões de toneladas no “lineup” de navios para março e mais embarcações podem ser reportadas à medida que o mês avança, segundo relatório da Refinitiv, que mostra que as exportações brasileiras poderiam mais que dobrar neste mês em relação a fevereiro, quando somaram aproximadamente 5 milhões de toneladas, segundo dados do governo.
Para o analista da Safras & Mercado, Luiz Fernando Roque, os atrasos nas exportações causam problemas momentâneos, mas nada que impacte as exportações globais do Brasil.
“Se não embarca em março, vai embarcar em abril. Claro, se continuarem as chuvas, aí a gente se preocupa… Com o tempo seco, a gente consegue desafogar esta fila de navios”, disse ele, ressaltando que a preocupação seria maior se a colheita estivesse mais adiantada.
De acordo com previsões da Rural Clima, o tempo seguirá com poucas chuvas diárias até pelo menos o dia 14 em
Santos. Depois é esperado um período sem precipitações até o dia 19 de março. A situação climática é bastante semelhante em Paranaguá e nos portos de Tubarão (SC) e Rio Grande (RS).
Encalhe
Roque citou que as operações em Santos ficaram paralisadas em alguns dias neste início do mês, devido a intensas chuvas que atingiram a Baixada Santista, causando pelo menos 24 mortes.
Segundo a autoridade portuária de Santos, devido às chuvas constantes nos dois primeiros dias desta semana, os embarques de granéis sólidos nos navios não aconteceram na maior parte do período.
Na noite de segunda-feira, devido às condições meteorológicas, com rajadas de vento de até 80 km/h, o tráfego de embarcações chegou a ser suspenso no canal de navegação.

Segundo a autoridade portuária de Santos, devido às chuvas constantes nos dois primeiros dias desta semana, os embarques de granéis sólidos nos navios não aconteceram (Imagem: Santos Brasil/Divulgação)
Não bastasse o problema climático, um navio encalhou ontem no porto de São Francisco do Sul (SC), suspendendo as operações entre a madrugada de quarta-feira e o início da tarde desta quinta-feira.
No momento, novas atracações no porto catarinense deverão levar em conta o tamanho das embarcações, enquanto o navio Aeolian Grace, carregado com 65.804 toneladas de soja, continuar encalhado.