Vias do Porto de Santos, SP, ficam desertas após bloqueios de caminhoneiros

Fonte: G1 (24 de maio de 2018)

A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) informou que, desde segunda-feira (21), quando começou o protesto de caminhoneiros por todo o paíscontra o aumento do diesel, o Porto de Santos, o maior do Brasil, não registra acesso de veículos rodoviários de cargas em suas instalações. Em paralelo, os estivadores anunciaram que devem aderir ao movimento nos próximos dias.
 
O Porto de Santos é o maior da América Latina, principal porta de saída e entrada de produtos agropecuários. Diariamente, passam pelo cais santista, em média, 8 mil caminhões. Mas, segundo a Codesp, há três dias nenhum caminhão entra ou sai do complexo. A falta de movimento se deve à manifestação de transportadores rodoviários nas vias de acesso ao porto.
 
Apesar disso, as operações de atracação e desatracação de navios, e embarque e descarga de mercadorias ocorrem normalmente. Os terminais estão operando com produtos armazenados ou que chegam por ferrovia e dutovia, sem qualquer comprometimento.
 
No entanto, segundo o Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), a paralisação dos caminhoneiros autônomos já causa reflexos negativos na atividade, com os armadores/agentes estendendo a deadline para depositar as cargas nos terminais para não perderem os embarques.
 
O sindicato afirma que há enorme preocupação quanto aos futuros carregamentos, já que, com os bloqueios nas estradas, os exportadores não conseguem retirar os contêineres vazios nos terminais, o que provocará perda de embarques.
 
Dois terminais que atuam no Porto de Santos, por falta de combustível, uma vez que caminhões-tanque estão sendo impedidos de continuar viagem para o seu destino, devem paralisar as suas operações até o meio da tarde desta quarta-feira.
 
O Sindamar ainda explica que as cargas à granel na exportação também sofrem o impacto da paralisação, que provocará reflexos negativos na balança comercial, afetando diretamente o agronegócio e setores da indústria que correm o risco de terem as suas linhas de produção afetadas.
 
Também em nota, o Sindicato dos Operadores Portuários (Sopesp) avalia como preocupante a manifestação. “Com o travamento dos acessos rodoviários, os terminais estão impedidos de receber ou expedir cargas. A situação se aproxima do caos logístico. Se continuar a paralisação os prejuízos serão irreparáveis a todos os envolvidos na cadeia logística e à economia do país”.
 
Na terça-feira, os caminhoneiros bloquearam o acesso ao pátio, em Cubatão (SP), que faz a triagem de veículos comerciais que seguem em direção aos terminais do Porto de Santos. Os caminhoneiros também reivindicam o não pagamento nas praças de pedágio do eixo erguido e as melhorias nos locais de parada.