Login
Associe-se
NOTÍCIAS

Ferrovias autorizadas já somam 22 projetos, mas há dúvidas sobre viabilidade

Fonte: Valor Econômico (14 de fevereiro de 2022)

Ferrovia: Uma dúvida é como serão equacionadas as diversas coincidências de trechos solicitados pelas companhias — Foto: Abifer/via Governo de Goiás


 
Desde a publicação do novo marco legal das ferrovias, no fim de 2021, o governo federal já deu aval à construção de 22 projetos, que somam investimentos calculados em R$ 102,85 bilhões e 6.880 km de extensão. Além deles, estão em análise outros 57 projetos, que elevariam o valor de investimentos a R$ 240 milhões.
 
Embora o mercado veja com otimismo e animação a nova possibilidade de contratação de ferrovias, as cifras superlativas divulgadas pelo governo têm sido vistas com ceticismo.
 
Para uma fonte do setor, a principal dúvida é se os projetos de fato sairão do papel, ou seja, se os grupos que receberam aval para construir os empreendimentos vão conseguir financiar a obra e obter os licenciamentos ambientais necessários.
 
Pelo modelo de autorização, a ferrovia é construída por conta e risco da companhia privada. Essa fonte aponta que diversos projetos “greenfield” não saíram do papel por serem considerados inviáveis do ponto de vista econômico-financeiro, mesmo sob o modelo de concessão, em que o governo entra no projeto, seja com injeção de recursos, seja com compartilhamento de riscos diversos.
 
Entre os pedidos já protocolados, alguns geram dúvidas sobre a capacidade dos responsáveis em executar os projetos. Um deles é a Nova Ferroeste, empreendimento do governo paranaense para conectar Mato Grosso do Sul ao porto de Paranaguá, que prevê R$ 29 bilhões de investimentos — diversos trechos do corredor foram pleiteados ao governo federal no modelo de autorização. No mercado, porém, há pouca convicção de que a obra saia do papel tão cedo.
 
Outra dúvida é como serão equacionadas as diversas coincidências de trechos solicitados pelas companhias. Por exemplo, o tramo entre Açailândia (MA) até Barcarena (PA), que seria uma extensão da Ferrovia Norte-Sul, foi alvo de pedidos da 3G Empreendimentos e Logística e da Triunfo. O trecho entre Lucas do Rio Verde (MT) e Água Boa (MT) também está nos planos da Rumo e da VLI. As mesmas empresas também compartilham o desejo de construir uma via entre Uberlândia (MG) e Chaveslândia (MG).
 
Ainda não está claro como essa questão será resolvida e se a disputa pode se tornar um entrave adicional à realização do projeto.
 
Apesar das incertezas, há muito otimismo em torno dessa nova possibilidade de contratação. A expectativa é que principalmente no caso de trechos menores e localizados — como ramais para conectar terminais portuários ou fábricas a corredores maiores — saiam do papel com maior facilidade no curto prazo.