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Cargill preocupada com 'insultos' do governo brasileiro ao principal parceiro comercial da China

Fonte: Reuters (18 de junho de 2020)

FOTO DE ARQUIVO: Plantação de soja é vista em Rio Verde, Goiás, Brasil, 31 de janeiro de 2019. REUTERS / Jose Roberto Gomes


SÃO PAULO (Reuters) – Os insultos de funcionários do governo brasileiro voltados para a China, principal parceiro comercial do país, são prejudiciais aos interesses comerciais do Brasil e “nem muito inteligentes”, disse quarta-feira o diretor executivo das operações locais da Cargill.
 
A postura agressiva contra a China, às vezes adotada por membros do governo de direita do presidente Jair Bolsonaro, é “um grande motivo de preocupação”, disse Paulo Sousa em entrevista a um jornal local transmitido ao vivo nas mídias sociais.
 
Bolsonaro criticou no passado o crescente papel econômico da China no Brasil e alinhou seu país aos Estados Unidos.
 
Seu filho Eduardo Bolsonaro, legislador, em março acusou a China de espalhar o novo coronavírus para outros países, e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, sugeriu em abril que a doença ajudaria a China a “dominar o mundo” em um post no Twitter que zombava do sotaque chinês.
 
“Temos o papel de fornecer alimentos ao mundo, independentemente da cor, raça, credo ou preferência política de um país”, disse Sousa. “Portanto, não é apropriado que funcionários do governo brasileiro insultem nosso maior cliente. Eu diria que nem é muito inteligente.
 
A Cargill foi a maior transportadora de soja e milho do Brasil nos cinco meses até maio, segundo dados de agências marítimas. O comerciante de grãos sediado nos EUA exportou 8,1 milhões de toneladas de oleaginosas do Brasil e quase 342 mil toneladas de milho no período.
 
O governo brasileiro não fez um comentário imediato.
 
Sousa, que assumiu a presidência da operação da Cargill no Brasil em dezembro passado, disse que não vê risco imediato de interrupção do comércio do Brasil com a China.