Tensões entre Brasília e Pequim não vão afetar exportações de soja à China, diz Aprosoja
Fonte: Valor Econômico (08 de abril de 2020)
A renovação das tensões entre os governos brasileiro e chinês, desta feita por causa recentes insinuações do ministro da Edução, Abraham Weintroub, de que o país asiático estaria se beneficiando da epidemia de coronavírus, não deverá afetar as exportações brasileiras de soja.
A China é o principal destino do grão brasileiro no exterior. Absorveu 74,4% da receita de US$ 6,2 bilhões obtida com os embarques de janeiro a março, quando o volume vendido chegou a 17,9 milhões de toneladas e, pelo menos ao longo deste primeiro semestre, isso não deverá mudar, pelos negócios antecipados já fechados entre exportadores e importadores e porque não há opção melhor para os chineses no momento.
“Essa nova polêmica não muda em nada os embarques. Nem merece comentário”, afirmou Bartolomeu Braz, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), ao Valor.
Segundo ele, no total os embarques de soja do país deverão alcançar um novo recorde mensal em abril, como já aconteceu em março, e alcançar 13 milhões de toneladas, 50% mais que no mesmo mês do ano passado. “O preço recorde no mercado interno, em razão da valorização do dólar ante ao real, e a demanda forte estão dando suporte para as exportações. De 1º de janeiro até 7 de abril já exportamos 40% a mais que no mesmo período do ano passado”, afirmou.
Braz disse que o aumento dos embarques também pode ser atribuído ao incremento das compras de Japão, Índia e Indonésia. Conforme o presidente da Aprosoja, a saca de soja no mercado físico brasileiro tem sido negociada a R$ 81 ou R$ 82, enquanto para o grão da safra 2020/21 os valores alcançam de R$ 83 ou até R$ 85.
“Eu mesmo travei soja a R$ 85,50”, afirmou, referindo-se à produção da próxima safra. O presidente da associação calcula que a produção brasileira do atual ciclo, que está na reta final de colheita, deverá superar 123 milhões de toneladas e consolidar o Brasil na liderança global da produção da oleaginosa, à frente dos EUA.
“Temos 100 milhões de toneladas já colhidas e a produção está indo muito bem no Centro-Norte do país”, afirmou.