Os contêineres que trazem bens de consumo da
Ásia são normalmente descarregados e depois embarcados de volta com as exportações de outras commodities.
O
Brasil normalmente envia
carne,
celulose e
café em contêineres para a
China, uma rota que dura um mês em cada sentido, enquanto o Canadá os utiliza para transportar diversos produtos, como culturas especiais, madeira e papel.
A disponibilidade de contêineres em Hamburgo, Roterdã e Antuérpia, na Europa, e em Long Beach e Los Angeles, nos EUA, está nos níveis mais baixos registrados, de acordo com relatório da Bloomberg.
As importações aos portos de Los Angeles e Long Beach, que respondem por 35% dos contêineres que chegam aos EUA, caíram 13% nos primeiros dois meses do primeiro trimestre, disse Lee Klaskow, analista da Bloomberg Intelligence, em relatório na quarta-feira. O volume internacional pode acelerar com o aumento das exportações chinesas, disse.
A taxa de movimentação de contêineres no porto de Xangai caiu 19,5% em fevereiro em relação ao ano anterior, enquanto o índice de contêineres que saíam diminuiu 25%, de acordo com dados do Departamento Municipal de Estatísticas na quinta-feira.
Estresse
O Canadá não tem contêineres suficientes para exportar parte das colheitas de ervilha e lentilha, e as exportações estão atrasadas em até dois meses depois que 30 navios da China cancelaram viagens para Vancouver desde janeiro, disse Cherewyk.
Legumes estão em alta demanda pois consumidores aumentam os estoques de produtos secos e embalados, e cerca de um terço das culturas canadenses dependem de contêineres para as exportações, disse.
Adnan Durrani, diretor-presidente da fabricante de alimentos Saffron Road, diz que obter certas especiarias, como curry da Tailândia, tem demorado mais do que o normal, com atraso de cerca de um mês.
O executivo conseguiu o que precisava, mas os custos de envio foram mais altos para chegar a tempo. O coronavírus “colocou um pouco de estresse na cadeia de suprimentos”, disse.
Cafeicultores brasileiros encontram dificuldade para garantir encomendas antecipadas, pois muitos contêineres que embarcam para a China não estão retornando.
Exportadores de carne suína dos EUA também são afetados pela oferta mais apertada, embora isso seja parcialmente explicado pelo volume recorde embarcado atualmente para a China, disse Laurie Bryant, diretora executiva do Conselho de Importadores de Carne da América.