Navio afretado pela Vale sofre avaria no Maranhão
Fonte: Valor Econômico (27 de fevereiro de 2020)

MV Stellar Banner: avariado na proa na segunda-feira, no Maranhão, o navio faz parte de frota afretada pela Vale — Foto: Reprodução
A Vale confirmou ontem que o navio MV Stellar Banner, afretado pela mineradora, sofreu avaria na proa depois de deixar o Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, pertencente à empresa em São Luis (MA), na noite de segunda-feira. A embarcação se encontrava fora do canal de acesso ao porto e o terminal segue operando normalmente, sem interrupções nos embarques, segundo a companhia.
Com bandeira das Ilhas Marshall, o MV Stellar Banner foi construído em 2016 e pertence ao armador sul-coreano Polaris, responsável pela operação. A embarcação deixou o porto na noite segunda-feira carregada de minério de ferro com destino a Qingdao, na China, onde chegaria em 5 de abril. No mercado havia preocupações ontem com eventuais danos ambientais. A Marinha do Brasil informou que um rebocador com material para conter possíveis danos ambientais foi enviado pela Vale ao local para prevenir “futuras possibilidades de vazamento”.
Com 340 metros de comprimento e 55 metros de largura, o MV Stellar Banner é um graneleiro de grande porte, conhecido pela sigla VLOCs (“Very Large Ore Carriers”). A Vale possui contratos de afretamento de longo prazo com armadores asiáticos, como a Polaris, para utilizar esse tipo de navio, que tem capacidade de até 400 mil toneladas de porte bruto.
Os contratos de afretamento de longo prazo com armadores passaram a fazer parte da estratégia da Vale depois que a empresa mudou, há alguns anos, a forma de operar no transporte marítimo. A mineradora vendeu a frota própria e optou por alugar navios para garantir capacidade de transporte e se proteger da volatilidade dos preços dos fretes, sem incorrer em custos relativos à construção, propriedade e operação das embarcações. Em 2018, a Vale concluiu negociações de contratos de afretamento de longo prazo com armadores para empregar 47 novos VLOCs com capacidade de 325 mil toneladas de porte bruto. As embarcações seriam construídas na China, Coreia do Sul e Japão, com entregas entre 2019 e 2023.
Em nota ontem, a Vale informou ter recebido informações segundo as quais, por medida de precaução, os 20 tripulantes do navio foram “evacuados” e que o comandante da embarcação adotou manobra de encalhe a cerca de 100 quilômetros da costa de São Luís. “Como operadora portuária, a Vale está atuando com suporte técnico-operacional, com o envio de rebocadores, e colaborando com as autoridades marítimas.” Também em nota, a Marinha disse ter tomado conhecimento dos problemas com o Stellar Banner na manhã de terça-feira via agente marítimo.
O problema ocorreu nas proximidades da boia nº 1, no canal da Baía de São Marcos, a 32 milhas náuticas do Farol de Santana, disse a Marinha. O incidente ocorreu na segunda, por volta das 21h30. “Foram identificados dois vazamentos avante da embarcação. No momento, o navio encontra-se encalhado.” Quatro reborcadores foram deslocados para apoio. A Marinha instaurou inquérito administrativo para apurar causas, circunstâncias e responsabilidades.