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Brasileiros pagam R$ 29 bilhões em tarifas de conta corrente. Mas por quê?


Fonte: Valor Investe (14 de fevereiro de 2020 )

 

Você pagaria a conta de uma linha telefônica que não usa? Ou parcelaria um carro somente para deixá-lo parado na garagem? A lógica é a mesma para as tarifas de manutenção de conta nos bancos que podem incluir produtos e supostas vantagens que os clientes sequer precisam. Você paga para não usufruir e ainda deixa de aplicar em investimentos que realmente poderiam fazer seu dinheiro crescer.

 

Mas só em 2019, os brasileiros deixaram mais de R$ 29 bilhões nas mãos dos cinco maiores bancos só com o pagamentos de pacotes e serviços de conta corrente. Essa cifra é cerca de 10% das receitas totais dos bancos. É o que mostra os balanços dessas instituições.

 

Essa indústria ainda cresce ano a ano. Em 2019, no entanto, o volume cobrado por Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa e Santander por esse tipo de serviço aumentou em ritmo menor, ficando por volta de 5%, próximo ao índice de inflação IPCA. Antes disso, as altas anuais do faturamento com tarifas passavam de 10%.

 

Valores pagos em tarifas de conta corrente – R$ bilhões

 

O mais curioso é que já vai fazer uma década que o brasileiro não é mais condicionado a pagar tarifa para manter conta aberta em nenhum banco, grande ou pequeno. Desde 2010, vigora a resolução nº 3.919/2010 do Banco Central que obriga os bancos a oferecerem os serviços essenciais gratuitamente a todos os clientes, de qualquer faixa de renda.

 

Mais recentemente, começaram a pipocar os bancos digitais, que quase não cobram tarifas. Eles oferecem a maioria dos serviços bancários gratuitamente.

 

Ainda assim, um levantamento do aplicativo de finanças pessoais Guiabolso aponta que quase 30% dos seus 150 mil usuários ainda pagam tarifas de manutenção de conta. São pessoas familiarizadas com aplicativos e recursos tecnológicos.

 

Em dezembro do ano passado, a média paga por mês para manter a conta era de R$ 35,70 por usuário, conforme o Guiabolso. Isso significa um aumento em relação ao mesmo período de 2018, em que o preço médio era de R$ 34,40 pelo pacote.

 

Embora o reajuste tenha sido pequeno, ele sugere que os grandes bancos não estão necessariamente seguindo a tendência dos concorrentes digitais e recuando na cobrança das tarifas.

 

A economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Ione Amorim, afirma que mesmo depois de quase 10 anos da resolução do Banco Central, algumas instituições ainda dificultam o acesso aos serviços essenciais gratuitosTambém há a prática de reajustar valores das cestas sem avisar ao consumidor.

 

“Ainda tem funcionário que diz que não existe a conta de serviços essenciais. Muita gente tem pacote por imposição do banco. A pessoa não se importa ou nem lembra mais o nome do pacote. Hoje as pessoas têm menos relacionamento com o banco (presencial) e vão pagando automaticamente. Esses serviços sofrem reajustes muito altos. Eu sei porque fazemos pesquisas aqui no Idec”, afirma.

 

O pacote de serviços essenciais grátis é limitado, mas dá direito aos seguintes benefícios:

  • receber um cartão de débito
  • até quatro saques por mês
  • duas transferências entre contas de um mesmo banco
  • acesso a conta e consultas de saldo pela internet
  • dois extratos impressos por mês em caixa automático ou guichê
  • compensação de cheques
  • discriminação de tarifas pagas no decorrer do ano
  • até dez folhas de cheque por mês

 

Fique atento

Qualquer excedente ao pacote está sujeito a tarifas avulsas, que são pagas mediante a solicitação do serviço. Por exemplo, o custo de uma transferência entre bancos do tipo TED (compensação no mesmo dia) varia entre R$ 8 e R$ 15. As tarifas de saque começam a partir de R$ 2,40.

 

Segundo Ione, os bancos são livres para montar seus pacotes de serviço e definir o quanto cobrar por eles, mas há algumas regras a serem seguidas. Os elementos que compõem a cesta não podem custar mais de 80% do valor que seria cobrado por eles de forma avulsa. Ela também esclarece que tudo que é oferecido nos serviços essenciais gratuitos deve permanecer sem custo nos pacotes, você só pode pagar pelo que é oferecido a mais.

 

No caso de contas sem movimentação há mais de 90 dias, o banco deve perguntar ao consumidor se ele pretende continuar a usar os serviços. Não pode simplesmente continuar cobrando a tarifa por vários meses por algo parado, sem uso, explica Ione.

 

“O banco cobrava a tarifa que ia para o cheque especial, até que chegava um momento que isso explodia e a pessoa ia saber no futuro que estava negativa. Isso melhorou, mas ainda acontece”, diz.

 

Foi o que aconteceu com a analista de mídias sociais Larissa Pacheco. Ela abriu uma conta universitária que tinha seis meses de gratuidade. Esqueceu-se de fechar a conta, nunca mais usou, mas as cobranças continuaram.

 

Na verdade, os bancos digitais, assim como as fintechs, vêm para disputar uma fatia de um mercado muito maior que o de tarifas. Eles estão de olho na indústria bilionária do crédito que por décadas ficou nas mãos de poucas instituições.

 

Só em 2019, os cinco maiores bancos tiveram resultado bruto de R$ 240 bilhões com operações de crédito (empréstimo, financiamentos, cheque especial, etc), apontam balanços dessas instituições. Sem falar nos mais de R$ 100 bilhões em outros serviços, como gestão de fundos e meios de pagamento.

 

O cenário de taxa básica de juros (Selic) no nível mais baixo da história, a 4,25% ao ano, é propício para apostar em produtos financeiros mais diversos e agressivos. Dá para ganhar com gestão, corretagem e até prestando serviços de planejamento e consultoria.

 

E num país que ainda engatinha na educação financeira e que tem um salário mínimo de R$ 1.045, mais de quatro vezes menor que o salário ideal calculado pelo Dieese, de R$ 4.347,61 (janeiro), o mercado de crédito é muito mais promissor que a venda de pacote de serviços que poucos usam.

 

(Colaborou Fernando Torres)


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