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Mercado vê taxa básica em 4,25% por um longo tempo


Fonte: Valor Econômico (12 de fevereiro de 2020 )

O cenário de “múltiplas incertezas” contemplado na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) reiterou duas mensagens a boa parte dos analistas de mercado: um novo corte de juros está praticamente descartado no curto prazo, mas nada é definitivo num horizonte mais longo. Dessa forma, com o cenário para a inflação em níveis ainda mais benignos, prevalece a perspectiva de que a taxa Selic será mantida em níveis baixos por um período prolongado.

 

Foi justamente essa leitura que ajudou a reduzir as taxas futuras de juros na B3. Ontem, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 recuou de 4,255% para 4,235%, nova mínima histórica de fechamento. Já a do DI para janeiro de 2022 caiu de 4,92% para 4,86%, enquanto a do contrato para janeiro de 2023 passou de 5,50% para 5,42%.

 

No documento, o colegiado reiterou que vê como adequada a interrupção do ciclo de corte de juros e afirmou que considera a inflação subjacente em níveis compatíveis com a meta. Alguns integrantes do Copom argumentaram, na reunião, que a “dicotomia” entre os dados de trabalho e da produção de bens e serviços pode indicar um grau menor de ociosidade da economia do que o medido pelos métodos tradicionais.

 

Dessa forma, o Copom enfatizou que é necessário observar os efeitos do ciclo de estímulo monetário que teve início em julho do ano passado – tudo isso enquanto avalia também os riscos em torno da disseminação do coronavírus.

 

O economista-chefe da Mauá Capital, Alexandre Ázara, avalia que “o sarrafo para novos cortes parece muito alto”, mesmo com espaço para medidas adicionais de afrouxamento. “Como eu acho que a inflação está baixa no núcleo e que o hiato é um pouco maior que métodos tradicionais mostram, eu adotaria mais queda da Selic, mas eles não acham isso”, explica o profissional.

 

Permanece, então, a leitura de taxas de juros em níveis baixos e por mais tempo. O economista-chefe da Macro Capital, Thiago Pereira, afirma que a ata dá aval a essa perspectiva e ressalta que há “pouca chance” de um corte no juro básico nas próximas reuniões do Copom. “Os diretores vão olhar as defasagens e o impacto na economia e eles se mostram confiantes de que os estímulos terão impacto no crescimento.”

 

Assim, a Macro Capital espera que a Selic se mantenha inalterada em 4,25% por um período prolongado, até que tenha início uma normalização da política monetária no próximo ano, mas em nível bastante gradual.

 

O mesmo cenário é observado pelo economista-chefe da Guide Investimentos, João Maurício Rosal. Para ele, contudo, com o Copom reafirmando que continua dependente de dados, o próximo passo “ainda não foi acertado”. Assim, surpresas na divulgação de indicadores econômicos podem mudar o cenário de Selic inalterada ao longo deste ano, “embora com baixa probabilidade”.

 

Alguns pontos do comunicado, entretanto, geraram um certo desconforto em parte do mercado. O economista Marcelo Ferman, da Parcitas Investimentos, diz que o acelerado deslocamento do alvo da política monetária de 2020 para 2021 está gerando confusão em participantes do mercado financeiro sobre quais são os reais objetivos do Copom. “Tem gente que diz que o Copom encontrou uma justificativa para não baixar os juros porque está preocupado com o câmbio, outros dizem que ele está desconfortável com a inclinação da curva de juros”, sustenta. “Mas, se as preocupações do Copom fossem essas, não estaríamos em um sistema de metas de inflação.”

 

Foco de parte dessa discussão, o dólar comercial fechou ontem em novo recorde, ao encerrar o dia a R$ 4,3269 (0,10%), num movimento que deixou o real na contramão do bom desempenho de outras divisas emergentes.

 

Ferman também considera polêmicos os argumentos de membros do colegiado preocupados com uma aceleração da inflação mais forte que o previsto. Essa visão, acredita, baseia-se em “conjecturas” sobre o nível de ociosidade da economia e a força da transmissão da política monetária, sem uma sustentação empírica. (Colaboraram Alex Ribeiro e Marcelo Osakabe)


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