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Temas relevantes para o futuro da atividade são foco no 43º Encontro Nacional de Praticagem


Fonte: Praticagem do Brasil (7 de novembro de 2019 )

A perspectiva de crescimento na movimentação de cargas transportadas por navios cada vez maiores aumenta a complexidade das manobras diante de uma infraestrutura portuária que, no Brasil, não acompanhou o fenômeno na mesma proporção. Este cenário exige da Praticagem mais treinamento, conhecimento de gestão de risco, tecnologia e até soluções jurídicas para lidar com conflitos comerciais na contratação do serviço por armadores. Por isso, os temas foram discutidos no 43º Encontro Nacional de Praticagem, que ocorreu, de 30 de outubro a 1º de novembro, em Maceió (AL).

 

Ao abrir o evento, o Diretor-Presidente do Conselho Nacional de Praticagem, Prático Gustavo Henrique Alves Martins, disse que a coordenação de todos os entes envolvidos na operação segura e eficiente dos portos é fundamental para superar os gargalos do país. No caso da Praticagem, afirmou, existem duas realidades:

 

– Temos os portos menores, que tiveram redução na movimentação de cargas devido à tendência de concentrar movimento nos portos maiores. Isso traz dificuldades estruturais, inclusive para a própria Praticagem. É o exemplo de Maceió, que precisar ter a sua lotação reavaliada para os Práticos realizarem uma quantidade de manobras a fim de manterem a qualificação. No outro lado, temos os portos maiores recebendo cada vez mais navios de maior porte, porém, sem uma infraestrutura adequada. Os nossos canais e portos continuam os mesmos. Nessa situação, buscamos contribuir com treinamento e tecnologia para garantir que as manobras dessas embarcações sejam realizadas com o máximo de segurança e eficiência, dando competitividade aos nossos portos.

 

Segundo o Comandante do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (Ciaga) da Marinha, Almirante Viamonte, os países que não acompanharem o mercado ficarão para trás, mas o ganho de escala no transporte aumenta o risco das fainas de Praticagem. Ele ressaltou a importância da atividade para a segurança da navegação e na participação em simulações “essenciais” para a verificação de possibilidade de manobras, avaliação de instalações portuárias etc.

 

– Para a Autoridade Marítima, enquanto for sua a responsabilidade pela segurança da navegação, ela sempre contará com o conhecimento da Praticagem para a garantia de mares e rios seguros e limpos – destacou Viamonte, que representou Diretor de Portos e Costas, Almirante Roberto.

 

O Presidente do Tribunal Marítimo, Almirante Lima Filho, apresentou estudos de casos que podem contribuir para a segurança. O órgão auxiliar do Poder Judiciário tem um importante papel preventivo, ao divulgar o aprendizado colhido com acidentes e fatos da navegação. Ele também enalteceu o trabalho da Praticagem do Brasil:

 

– No nosso país, o índice de acidentes com Prático a bordo é baixíssimo (próximo de zero) e isso deve ser motivo de orgulho para todos nós.

 

Sempre preocupado em manter a excelência do serviço, o Conapra firmou uma parceria com o Laboratório de Análise, Avaliação e Gerenciamento de Risco (LabRisco) da USP para investigar a contribuição do fator humano para o risco em manobras em portos e hidrovias. Este trabalho, ainda em execução, foi apresentado pelo pesquisador da universidade, Doutor Marcelo Ramos Martins.

 

Na parte da tarde do dia 31, o Conselheiro Técnico do Conapra, Prático Siegberto Schenk, fez um balanço do Seminário de Gestão de Riscos na Praticagem, que, em agosto, difundiu essas ferramentas para toda a atividade, inclusive transmitindo ao vivo o evento.

 

PPU nacional em desenvolvimento

Também na parte da tarde, foi discutida a questão da tecnologia e do treinamento. O Prático Tomás Menezes Hatherly, da Praticagem de Pernambuco, mostrou as situações em que o Portable Pilot Unit (PPU) é utilizado como importante auxílio na tomada de decisão e expôs os motivos que levaram a entidade a apoiar o desenvolvimento de um equipamento nacional, como dificuldade de manutenção no exterior e demora no início do funcionamento, tempo precioso numa manobra.

 

– Temos que apoiar o desenvolvimento de uma tecnologia essencial para o nosso dia a dia, a exemplo de outros países. Mas o PPU não vai resolver todos os nossos problemas. A expertise do Prático depende da experiência reiterada e fresca. Essa é a única forma de garantir verdadeiramente a qualidade do serviço – frisou.

 

Na sequência, o Doutor André Seiji Sandes Ianagui, do laboratório Tanque de Provas Númerico da USP, revelou em que estágio está a criação do PPU nacional, já testado em junho passado e com previsão de disponibilidade para toda a Praticagem em julho de 2020. Para o seu desenvolvimento, os pesquisadores entrevistaram 26 Práticos de 19 Zonas de Praticagem. A proposta é ter um aparelho mais leve, rápido de utilizar e com o máximo de confiabilidade na precisão das informações.

 

Ainda na área da tecnologia, o Prático e Hidrógrafo Alexandre Moreira Ramos, da Praticagem do Rio de Janeiro, fez uma palestra sobre técnicas de posicionamento GPS, cartas náuticas de alta acurácia e marés GPS.

 

Já os representantes da Abeking & Rasmussen, Andreas Schoon e Stefan Schrage, apresentaram as vantagens das lanchas de Praticagem construídas pela empresa alemã, como mais estabilidade.

 

Treinamento e aprendizado internacional

O Vice-Presidente da Associação Europeia de Práticos Marítimos (EMPA) e Prático do Porto de Sines, Miguel Castro, relatou as medidas tomadas em Portugal após o acidente, em Cascais, com um colega que caiu no mar ao tentar embarcar em um navio da classe Panamax. Com ferimentos na cabeça e hipotermia, ele acabou morrendo devido a diversas falhas que atrasaram o resgate. Depois do episódio, foi implantado um programa de treinamento de três dias para todos os Práticos e Tripulantes das lanchas, com técnicas de sobrevivência no mar, primeiros socorros e salvamento. Além disso, está se discutindo a definição de limites operacionais para a transferência do Prático para o navio.

 

– Acidentes não acontecem apenas com os outros. A segurança começa com a conscientização de todos nós – disse.

 

O Diretor Técnico do Conapra, Prático Porthos Lima, cuja diretoria tem adotado algumas iniciativas para tornar o embarque e desembarque mais seguro, concordou com o colega português:

 

– Compartilhamos da mesma visão. É preciso criar uma cultura de segurança na profissão.

 

Porthos Lima anunciou as novidades do próximo ciclo do Curso de Atualização para Práticos (ATPR), obrigatório a todos os Práticos, incluindo os oriundos do processo seletivo de 2012. Para a fase a distância, haverá a mudança para um portal de ensino. A etapa presencial será dividida em dias temáticos. E a terceira inovação é um módulo opcional de treinamento em modelos tripulados reduzidos no Panamá, com programa elaborado por três Práticos brasileiros formados em Port Revel, na França.

 

Outras palestras e demais presenças

O 43º Encontro Nacional de Praticagem teve ainda a presença da Gerente de ADR e Mediação da FGV e Presidente da Comissão de Mediação de Conflitos da OAB-RJ, Juliana Loss, que falou sobre métodos alternativos de resolução de disputas que podem ser aplicados para solucionar eventuais conflitos com contratantes do serviço de Praticagem, como a arbitragem:

 

– Hoje, o estudante de Direito passa cinco anos se preparando para o processo judicial. Poucos advogados se preparam para as soluções extrajudiciais. Mas a tendência do uso desses mecanismos é algo inevitável. A ideia é que tentemos cada vez mais buscar formas consensuais de resolução de conflitos, de forma estruturada.

 

No último dia do evento, o jornalista Vinícius Dônola, que acaba de lançar um livro sobre bastidores da sua carreira, fez uma palestra sobre relacionamento com a imprensa para Práticos e Gerentes de Praticagem.

 

Também estiveram presentes no 43º Encontro Nacional de Praticagem: o Vice-Presidente da Associação Internacional de Práticos Marítimos (IMPA), Prático Ricardo Augusto Leite Falcão, eleito na ocasião para a Presidência do Conapra; o Vice-Presidente da Federação Nacional dos Práticos (Fenapráticos), Prático Marcelo Cajaty; o Diretor Financeiro do Conapra, Prático João Bosco; a Diretora do Departamento de Gestão de Contratos da Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários do Ministério da Infraestrutura, Flávia Takafashi; o Diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Francisval Mendes; Jacqueline Wendpap, Chefe de Gabinete do Diretor-Geral da Antaq Mário Povia; o Capitão dos Portos de Alagoas, Capitão de Fragata Haron Jorge Alves Cavalcante; o Presidente da Sociedade dos Amigos da Marinha de Alagoas (Soamar-AL), Eduardo Auto Monteiro Guimarães; o Vice-Presidente do Instituto Brasil Logística, Tiago Lima, representando o Senador Wellington Fagundes (MT); além dos Deputados Federais Vinicius Carvalho (SP), Ossesio Silva (PE) e Heitor Freire (CE).

 

Foram parceiros do Conapra no evento: Abeking & Rasmussen, Yanmar Brasil, Wilson Sons Rebocadores, DMGA Consulting, Hidromares, Megatech Power e Supmar marina & estaleiro.


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