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Cota de trigo pode facilitar abertura americana à carne


Fonte: Valor Econômico (7 de novembro de 2019 )
Tereza Cristina, em evento em Brasília: “Mercado internacional é assim que funciona. Manda quem está comprando” — Foto: José Cruz/Agência Brasil

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou ontem à imprensa que ficou “um pouco decepcionada” com a negativa dos Estados Unidos em reabrir o mercado para a carne bovina in natura brasileira. Ela disse, inclusive, que avaliaria a necessidade de pedir uma reunião para tratar do assunto com o secretário de Agricultura americano, Sonny Perdue, em viagem que fará aos EUA no próximo dia 17.

 

Mas uma reunião da Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), realizada durante a noite de ontem, pode fazer Tereza sorrir mais aliviada. A expectativa era que no encontro, que não havia sido concluído até o fechamento desta edição, o colegiado implementasse a cota para a importação de 750 mil toneladas de trigo de países de fora do Mercosul sem tarifa.

 

Por menos que o governo quisesse admitir que a reabertura dos EUA à carne in natura estivesse esbarrando na demora de Brasília em implementar a cota, que deverá beneficiar sobretudo os americanos e foi uma promessa do presidente Jair Bolsonaro a Donald Trump, o fato é que, agora, o caminho pode ficar mais fácil se a implementação da cota se confirmar.

 

De todo modo, Washington ainda quer respostas sobre falhas identificadas no sistema brasileiro de controle sanitário da carne bovina e ainda vaio enviar outra missão ao país para checar se os problemas foram solucionados.

 

A carne bovina in natura do Brasil está barrada nos EUA há mais de dois anos, por causa da detecção de carregamentos do produto com abscessos (inflamações). A decisão de manter o veto foi resultado de uma inspeção técnica realizada pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) em unidades brasileiras cujo relatório foi entregue ao Ministério da Agricultura na quinta-feira da semana passada.

 

“Após o Brasil apresentar todas as medidas corretivas para as conclusões da auditoria e o FSIS [Serviço de Segurança e Inspeção de Alimentos americano] conferir e determinar que essas medidas são adequadas, o FSIS realizará outra auditoria local de verificação do sistema brasileiro de inspeção de carne. O FSIS planeja realizar essa auditoria de acompanhamento o mais rápido possível, assim que o Ministério da Agricultura do Brasil apresentar as medidas corretivas e comentários ao Rascunho do Relatório Final de Auditoria do FSIS”, informou, em comunicado, a embaixada dos EUA em Brasília.

 

“Fiquei um pouco decepcionada, achei que tínhamos cumprido todas as etapas. Mas isso é mercado internacional. É assim que funciona. Manda quem está comprando. Vamos ver o que poder ser feito e revisto”, afirmou Tereza Cristina, após evento em Brasília pela manhã. “Eles querem rever alguns pontos. Como eu já estava com uma viagem marcada para os Estados Unidos, vou ver exatamente se é necessário ou não ter uma conversa com o secretário de Agricultura americano para a gente ver isso. Os EUA são um excelente mercado, vamos reabrir sim. Vamos ver o que está precisando do dever de casa, o que faltou”, disse.

 

À noite, a ministra ainda não havia batido o martelo sobre essa reunião, mas com a possível decisão da Camex, fontes do setor acreditam que o tom da conversa, se de fato ela acontecer, será bem mais amigável.

 

Em comunicado, a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) defendeu a continuidade das negociações com os EUA sobre a carne bovina, embora a ministra tenha mencionado que o atraso na reabertura não significa uma “catástrofe”, porque hoje o Brasil vive uma “euforia nas exportações de carnes para a China”. Em outubro, lembrou a Acrimat, as exportações de carne bovina in natura alcançaram 160,1 mil toneladas, um novo recorde mensal. A receita atingiu US$ 716,1 milhões. (Colaborou Cristiano Zaia)


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