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Terminais de contêineres enfrentam riscos que estão para lá do controle dos operadores


Fonte: Revista Cargo (6 de novembro de 2019 )

Os operadores de terminais de contentores enfrentam atualmente riscos mais elevados do que em qualquer momento da história do setor, de acordo com um novo relatório. O documento, intitulado ‘Terminais de Contentores: Os caminhos para a Rentabilidade’ sugere que o investimento futuro de operadores e investidores precisará de ser considerado com mais cuidado do que nunca.

 

Ameaças sistêmicas e intrínsecas podem afetar a procura e o investimento

O estudo de 221 páginas – ao qual a Revista Cargo teve acesso – foi levado a cabo pelos especialistas Remco Stenvert e Andrew Penfold e é taxativo na sua mensagem, ao considerar que grande parte dos riscos que atormentam a indústria, estão bem para lá do controle dos operadores. Para os autores, o negócio da operação portuária e, mais especificamente, dos terminais de contêineres, enfrenta certezas maiores desde a década de 70, altura que marcou o florescimento global da revolução contentorizada.

 

Tratam-se de riscos sistêmicos e intrínsecos, que, na visão de Remco Stenvert e Andrew Penfold, podem afetar drasticamente as perspectivas da procura portuária, da rentabilidade e do investimento nos próximos 10 anos. Todas as estratégias de investimento terão de ter em conta todos estes riscos, uma vez que, para os especialistas, os dias em que o aumento da procura chegava para salvar projetos marginais terminaram. Os riscos externos são uma grande ameaça que não deverá ser menorizada na hora de equacionar investimentos.

 

Terminais de contêineres: os riscos externos e internos

Entre esses riscos externos estão o recuo da globalização em face do crescente protecionismo, a crescente instabilidade financeira desde 2009, uma mudança estrutural na natureza da procura, com muitas economias desenvolvidas alcançando agora, de forma efetiva, o pico de produtividade no segmento contentorizado, os crescentes desafios tecnológicos (à boleia de inovações disruptivas como o Blockchain ou a impressão 3D) e o impacto das novas exigências ambientais – variáveis que fogem ao controlo dos operadores e que deve merecer análise prioritária.

 

 A estes fatores externos juntam-se outros tantos, de cariz interno, que afetam diretamente o setor da gestão de terminais: o excesso de capacidade (derivado da configuração das frotas) e sub-utilização, instabilidade das alianças marítimas (que aumenta à medida que o crescimento dos volumes quebra), a crescente pressão originada pela proliferação de navios de grande porte (que forçam os terminais a adaptarem-se em termos infra-estruturais, buscando fortes investimentos) e o excesso de capacidade sentido, atualmente, em vários terminais.

 

O mundo está a mudar e o impacto no sector contentorizado permanece incerto. À medida que os principais retalhistas e operadores logísticos – como a Amazon e a Alibaba – aumentam a sua presença no mercado, haverá claras pressões para que invistam verticalmente na cadeia de transporte, conclui o estudo. Isso pode muito bem aumentar a probabilidade de criação de novas joint ventures, mas também pode aumentar a concorrência por investimentos num mercado cada vez mais incerto, explicam os autores.


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