Conheça a Estação Comandante Ferraz, localizada na Antártica
Fonte: Correio Braziliense (30 de maio de 2019)

Os últimos detalhes, como testes em todos os equipamentos, estão sendo feitos pela equipe de militares da Marinha
Até outubro, ninguém chega e ninguém sai do continente antártico. As temperaturas extremas e os fortes ventos, além de um mar extremamente perigoso, impedem qualquer aventura humana. A convite da Marinha do Brasil, o Correio participou da última missão 2018/2019 na região.
O foco da jornada à fronteira gelada brasileira eram as ações finais para a inauguração da nova Estação Comandante Ferraz, em março do ano que vem, como destacou, em entrevista na cidade chilena de Punta Arenas, o contra-almirante Sergio Gago Guida, secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Secirm). Agora começa a fase do comissionamento da estação. “Levaremos os equipamentos até o limite. Precisamos que todas as instalações estejam funcionando sempre em uma situação próxima às quais elas foram projetadas. Não podemos ter falhas”.
Rumo ao desconhecido
Bagagem pesada
Punta Arenas, banhada pelo Pacífico, é o derradeiro pedaço de terra ligado ao continente americano. Depois das águas geladas do Estreito de Magalhães, pequenas ilhas são os últimos torrões da América do Sul. Pelo estreito, cruzam navios mercantes que fazem a rota entre os oceanos Pacífico e Atlântico. Mas, desde a construção do Canal do Panamá, no início do século 20, esse trecho vem perdendo protagonismo comercial.
Carregar para o Hotel Cabo de Hornos a bagagem e os equipamentos de sobrevivência (cerca de 12kg), entregues anteriormente pela Marinha, é a primeira grande e pesada tarefa: botas com forro, casaco corta-vento com capuz, jardineira de tecido impermeável, conjunto capa de chuva, macacão Mustang (quase uma roupa de astronauta), luva e óculos corta-vento são alguns dos acessórios oferecidos pelo Proantar para os pesquisadores e os poucos visitantes da estação.
Punta Arenas, banhada pelo Pacífico, é o derradeiro pedaço de terra ligado ao continente americano. Depois das águas geladas do Estreito de Magalhães, pequenas ilhas são os últimos torrões da América do Sul. Pelo estreito, cruzam navios mercantes que fazem a rota entre os oceanos Pacífico e Atlântico. Mas, desde a construção do Canal do Panamá, no início do século 20, esse trecho vem perdendo protagonismo comercial.
Carregar para o Hotel Cabo de Hornos a bagagem e os equipamentos de sobrevivência (cerca de 12kg), entregues anteriormente pela Marinha, é a primeira grande e pesada tarefa: botas com forro, casaco corta-vento com capuz, jardineira de tecido impermeável, conjunto capa de chuva, macacão Mustang (quase uma roupa de astronauta), luva e óculos corta-vento são alguns dos acessórios oferecidos pelo Proantar para os pesquisadores e os poucos visitantes da estação.
A viagem começa
Às 6h45, embarcamos no avião cargueiro Hércules C-130 rumo à base chilena na Antártica Eduardo Frei Montalva. De lá, seguiremos no navio polar Almirante Maxmiano para a estação brasileira. O Hércules parece um grande contêiner voador, passageiros e tripulação se misturam aos equipamentos pesados e mantimentos que serão entregues à EACF, localizado na Ilha do Rei George, na Península de Keller. Os protetores auriculares entregues aos passageiros reduzem pouco o barulho dos potentes motores de 4.590 cavalos.
A aventura começa! Imagens do céu antártico vistas da pequena janela do avião impressionam. O C-130 é uma aeronave de guerra, fabricada pela norte-americana Lockheed, capaz de aterrissar em pistas pequenas ou improvisadas. “Tem capacidade para 20 toneladas de carga. A nossa configuração permite o transporte de 56 passageiros, além da carga da Marinha”, destaca o suboficial Freire, da FAB.
Da cabine do avião, o major Nicolás, comandante do FAB 2467, explica ao Correio os detalhes do trecho aéreo. “Este é o sexto voo do trigésimo sétimo ano da Operação Antártica. Estamos a uma altitude de 6 mil metros, numa velocidade de 520 km/h. Esperamos que os senhores estejam no solo o mais breve possível e em segurança.” Foi mesmo um voo tranquilo, em torno de três horas e meia. Cada passageiro convidado pelo Proantar paga simbolicamente (taxa de embarque) US$ 15 pela viagem.
22 graus abaixo de zero
Antes de o avião tocar no solo da base chilena, o alerta é dado: todos devem se agasalhar totalmente, a sensação térmica no local beira os -22º C. A porta da aeronave se abre. Entramos num mundo gelado, branco… agora dá para entender quando se fala que a Antártica é o local parecido com a Lua. Simbolismo bem metafísico, mas procede.
Rajadas de vento… neve caindo… demais para um repórter que sempre viveu no Planalto Central do Brasil. Tudo, tudo branco, o horizonte tomado por uma névoa quase azul. Com muito esforço, vê-se, fundeado, o navio polar Almirante Maximiano. E como chegar lá?
Botes salva-vidas começam a sair do navio rumo à praia. Teremos de subir nesses botes para chegarmos à embarcação. Mais uma aventura! Qualquer acidente, uma queda n’água, pode resultar em morte por hipotermia. Bastam apenas três minutos, mesmo agasalhado, para vir a óbito. Mas o trabalho dos marinheiros, extremamente treinados, põe em segurança todos a bordo.
Da base chilena à estação brasileira, a duração é em torno de três horas de navio. Pisaremos em solo brasileiro na Antártica no fim da tarde. Teremos apenas quatro horas para a primeira visita à EACF. Depois, voltaremos de bote ao navio, onde dormiremos, pois os equipamentos e móveis da estação só devem chegar no começo do próximo verão, fim de outubro.
Em terras brasileiras
A aventura começa! Imagens do céu antártico vistas da pequena janela do avião impressionam. O C-130 é uma aeronave de guerra, fabricada pela norte-americana Lockheed, capaz de aterrissar em pistas pequenas ou improvisadas. “Tem capacidade para 20 toneladas de carga. A nossa configuração permite o transporte de 56 passageiros, além da carga da Marinha”, destaca o suboficial Freire, da FAB.
Da cabine do avião, o major Nicolás, comandante do FAB 2467, explica ao Correio os detalhes do trecho aéreo. “Este é o sexto voo do trigésimo sétimo ano da Operação Antártica. Estamos a uma altitude de 6 mil metros, numa velocidade de 520 km/h. Esperamos que os senhores estejam no solo o mais breve possível e em segurança.” Foi mesmo um voo tranquilo, em torno de três horas e meia. Cada passageiro convidado pelo Proantar paga simbolicamente (taxa de embarque) US$ 15 pela viagem.
22 graus abaixo de zero
Antes de o avião tocar no solo da base chilena, o alerta é dado: todos devem se agasalhar totalmente, a sensação térmica no local beira os -22º C. A porta da aeronave se abre. Entramos num mundo gelado, branco… agora dá para entender quando se fala que a Antártica é o local parecido com a Lua. Simbolismo bem metafísico, mas procede.
Rajadas de vento… neve caindo… demais para um repórter que sempre viveu no Planalto Central do Brasil. Tudo, tudo branco, o horizonte tomado por uma névoa quase azul. Com muito esforço, vê-se, fundeado, o navio polar Almirante Maximiano. E como chegar lá?
Botes salva-vidas começam a sair do navio rumo à praia. Teremos de subir nesses botes para chegarmos à embarcação. Mais uma aventura! Qualquer acidente, uma queda n’água, pode resultar em morte por hipotermia. Bastam apenas três minutos, mesmo agasalhado, para vir a óbito. Mas o trabalho dos marinheiros, extremamente treinados, põe em segurança todos a bordo.
Da base chilena à estação brasileira, a duração é em torno de três horas de navio. Pisaremos em solo brasileiro na Antártica no fim da tarde. Teremos apenas quatro horas para a primeira visita à EACF. Depois, voltaremos de bote ao navio, onde dormiremos, pois os equipamentos e móveis da estação só devem chegar no começo do próximo verão, fim de outubro.
Em terras brasileiras
https://youtu.be/whvmknzz0Q0
O Almirante Maxmiano, o Tio Max, chega à Baía do Almirantado. O navio polar, que tem um imponente cumprimento de 93,4m, parece um barquinho de papel, tais as dimensões gigantescas do local em que se encontra a estação brasileira. Devagar, a embarcação se posiciona para que possamos ir à terra. As imagens impressionam! As primeiras sensações são de alegria quase infantil, vontade de ficar rindo à toa, extasiado por presenciar uma região em que poucos humanos tiveram a sorte de estar. O repórter do Correio está.
Na preparação para pegar o bote, é necessário usar o macacão Mustang, que pesa em torno de 4kg, a bota especial, uns 2kg, além da roupa interna. E não é fácil vesti-los. Para um marinheiro de primeira viagem, demora ainda mais. Antes da partida à estação, o comandante do navio e capitão de mar e guerra, Candido Marques, informa que a missão terá o retorno ao continente sul-americano antecipado em dois dias, devido ao mau tempo previsto na passagem do Estreito de Drake. O comandante está preocupado com a segurança do navio e da tripulação.
Teremos só a tarde e o dia seguinte para conhecer e circular pela Estação Antártica Comandante Ferraz. Tudo bem, Neil Armstrong e Edwin Aldrin, do Apollo 11, passaram um período de 21 horas na Lua.
Os dois botes com as equipes partem para a base. As águas na Baía do Almirantado estão calmas, apenas os ventos cortantes e gelados atrapalham a travessia. À medida que aproximamos, se percebe a dimensão dos dois blocos recém-construídos, onde ficarão cientistas e militares a partir de março do próximo ano — quando a estação será oficialmente inaugurada.
O Almirante Maxmiano, o Tio Max, chega à Baía do Almirantado. O navio polar, que tem um imponente cumprimento de 93,4m, parece um barquinho de papel, tais as dimensões gigantescas do local em que se encontra a estação brasileira. Devagar, a embarcação se posiciona para que possamos ir à terra. As imagens impressionam! As primeiras sensações são de alegria quase infantil, vontade de ficar rindo à toa, extasiado por presenciar uma região em que poucos humanos tiveram a sorte de estar. O repórter do Correio está.
Na preparação para pegar o bote, é necessário usar o macacão Mustang, que pesa em torno de 4kg, a bota especial, uns 2kg, além da roupa interna. E não é fácil vesti-los. Para um marinheiro de primeira viagem, demora ainda mais. Antes da partida à estação, o comandante do navio e capitão de mar e guerra, Candido Marques, informa que a missão terá o retorno ao continente sul-americano antecipado em dois dias, devido ao mau tempo previsto na passagem do Estreito de Drake. O comandante está preocupado com a segurança do navio e da tripulação.
Teremos só a tarde e o dia seguinte para conhecer e circular pela Estação Antártica Comandante Ferraz. Tudo bem, Neil Armstrong e Edwin Aldrin, do Apollo 11, passaram um período de 21 horas na Lua.
Os dois botes com as equipes partem para a base. As águas na Baía do Almirantado estão calmas, apenas os ventos cortantes e gelados atrapalham a travessia. À medida que aproximamos, se percebe a dimensão dos dois blocos recém-construídos, onde ficarão cientistas e militares a partir de março do próximo ano — quando a estação será oficialmente inaugurada.